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Quais dados são necessários para classificar o perigo ao ambiente aquático na Seção 12 da Ficha de Dados de Segurança
Equipe Level One 19 de janeiro de 2026 0 Comments

Quais dados são necessários para classificar o perigo ao ambiente aquático na Seção 12 da Ficha de Dados de Segurança

Para preencher corretamente a Seção 12 da Ficha de Dados de Segurança (FDS) e determinar a classificação de perigo ao ambiente aquático, é preciso reunir um conjunto de dados físicos-químicos e ecotoxicológicos. Esta página apresenta uma lista prática de dados essenciais, um fluxo de trabalho para avaliação, fontes confiáveis para encontrar informações e os erros mais comuns a evitar.

Por que estes dados são importantes

A classificação do perigo aquático identifica o risco que uma substância representa para organismos aquáticos (peixes, invertebrados, algas) e para o ambiente em geral, considerando efeitos agudos e crônicos, potencial de persistência e bioacumulação. Uma classificação correta orienta rótulos, medidas de gestão de risco e requisitos regulatórios.

Resumo dos dados essenciais

  • Propriedades físico-químicas
  • Solubilidade em água (valor e condições: pH, temperatura)
  • Log Kow (coeficiente octanol-água)
  • pKa (quando aplicável) e dependência do pH
  • Estabilidade química: meia-vida em água, hidrólise, fotólise
  • Dissolução/especiação (especialmente para metais)
  • Ecotoxicidade aguda
  • LC50/EC50 para peixe (normalmente 96 h), invertebrados aquáticos (Daphnia, 48 h) e algas (72 h ErC50/EC50)
  • Resultados preferencialmente medidos (concentração efetiva), com informações sobre concentração nominal vs medida
  • Ecotoxicidade crônica
  • NOEC, LOEC, EC10 para organismos representativos (peixe, invertebrados, algas ou plantas aquáticas)
  • Dados de reprodução/ crescimento/biomassa quando disponíveis
  • Persistência e degradação
  • Dados de biodegradação (testes OECD e similares)
  • Meia-vida (DT50) em água, sedimento e solo, quando relevantes
  • Bioacumulação
  • BCF/BAF (coeficiente de bioconcentração ou biota–água)
  • Quando não houver BCF, usar log Kow como indicador
  • Dados complementares
  • Testes em sedimentos, se a substância tende a aderir à matéria orgânica
  • Informação sobre produtos de degradação relevantes
  • Informação sobre mistura: composição de UVCB (substâncias de composição variável)

Fluxo de trabalho prático para a classificação

  1. Identificar a substância — nome, número CAS, forma (sal, sais, solução), pureza e composição (para UVCB divulgue frações conhecidas).
  2. Recolher dados existentes — procurar em bases de dados confiáveis e literatura científica dados experimentais para os pontos listados acima.
  3. Avaliar qualidade dos dados — prefira estudos padronizados (OECD), com controle de condições experimentais, replicação e concentrações medidas.
  4. Priorizar dados experimentais — quando disponíveis, use dados experimentais robustos; na falta deles, considere read-across, QSAR ou estimativas baseadas em propriedades físico-químicas.
  5. Avaliar persistência e bioacumulação — usar dados de DT50, biodegradação e BCF. Substâncias persistentes e bioacumuláveis exigem atenção especial.
  6. Aplicar critérios de classificação — usar os critérios do sistema GHS/ABNT NBR 14725 (ou regulamento aplicável) considerando endpoints agudos e crónicos.
  7. Documentar fontes e suposições — incluir referências, justificativas para read-across/QSAR e incertezas na Seção 12.

Onde obter os dados (bases e guias úteis)

  • ECHA (European Chemicals Agency) — fichas de dados químicos, dossier e IUCLID para muitas substâncias.
  • ECOTOX (US EPA) — base de dados de ecotoxicidade para várias espécies e endpoints.
  • OECD Test Guidelines — protocolos de ensaio reconhecidos internacionalmente.
  • Literatura científica — artigos com ensaios específicos ou dados de campo.
  • Ferramentas QSAR e estimativas — OECD QSAR Toolbox, modelos comerciais e públicos para prever propriedades quando faltam dados.
  • Bases nacionais e normas técnicas — documentos regulatórios e normas como a ABNT NBR 14725 para alinhamento local.

Regras práticas para interpretar dados

  • Preferir concentrações medidas sobre nominais. A diferença pode alterar a classificação.
  • Verificar condições experimentais (pH, dureza da água, presença de solventes, níveis de matéria orgânica) — afetam toxicidade e solubilidade.
  • Para metais, considerar especiação — a forma química (íons livres, complexos) determina a toxicidade; usar testes de dissolução quando necessário.
  • Para substâncias pouco solúveis , determine se os ensaios atingiram concentrações em solução relevantes; caso contrário, utilizar outros métodos (teste de suspensão, uso de dispersantes quando aceitável, ou abordagem baseada em fase sólida).
  • Em misturas e UVCB , avaliar por componentes sempre que possível; se não, considerar ensaios com a mistura completa.
  • Contextualizar persistência e bioacumulação — substâncias degradáveis rapidamente tendem a apresentar menor risco crónico, mesmo com toxicidade aguda.

Checklist pronto para uso antes de preencher a Seção 12

  • Identificação completa da substância (CAS, forma)
  • Solubilidade em água com condições
  • Valores de log Kow e/ou BCF
  • LC50/EC50 para peixe, invertebrados e algas (agudo)
  • NOEC/EC10 ou dados crónicos equivalentes
  • Dados de biodegradação e DT50
  • Informação sobre produtos de degradação
  • Dados sobre sedimentação/adsorção (Koc) se relevante
  • Fontes e qualidade dos dados documentadas

Erros e armadilhas mais comuns

  • Usar apenas dados nominais sem confirmar concentração efetiva na solução.
  • Ignorar variação com pH — muitas substâncias ionizáveis têm solubilidade e toxicidade dependentes do pH.
  • Tratar metais como se fossem compostos orgânicos — a especiação e dissolução controlam o risco, não só o valor de “metal total”.
  • Aplicar read-across sem justificação — é necessário demonstrar similaridade estrutural e toxicocinética.
  • Desconsiderar produtos de degradação — alguns metabólitos são mais tóxicos ou persistentes que a substância inicial.
  • Negligenciar a presença de surfactantes ou solventes em ensaios, que podem aumentar a solubilidade e alterar a toxicidade.

Exemplos práticos (situações típicas)

1. Substância altamente hidrofóbica (alto log Kow)

Se o log Kow for elevado e houver BCF alto, há risco de bioconcentração. Procure dados de BCF/BAF e primeiros ensaios crônicos; se inexistentes, considere read-across e atenção ao potencial de acumulação em cadeias tróficas.

2. Metal (ex.: cobre, zinco)

Não usar apenas a concentração total de metal. Realizar ou obter dados de dissolução e especiação em função do pH e dureza da água, que influenciam a fração bioativa. Testes de toxicidade padronizados para o metal na forma relevante são essenciais.

3. Substância pouco solúvel

Determinar se os ensaios alcançaram a solubilidade em água. Se não, pode ser necessário usar métodos alternativos (ex.: teste de deriva de suspensão, testes com dispersantes validados) ou justificar a classificação com base em dados de efeito a concentrações em solução plausível.

Perguntas frequentes (People Also Ask)

Que endpoints determinar primeiro: agudo ou crónico?

Idealmente ambos. Dados agudos são mais simples de obter e frequentemente usados para classificação inicial. Dados crónicos são necessários para avaliar efeitos a longo prazo e para determinar categorias de perigo crónico.

Quando usar QSAR ou read-across?

Quando não existirem dados experimentais para a substância e houver similaridade justificável com substâncias análogas. Deve incluir avaliação de incerteza e documentação clara das premissas.

Como tratar substâncias UVCB?

Avaliar por componente sempre que possível. Se não, realizar ensaios com a mistura completa e descrever a composição e a variabilidade. Justifique qualquer aproximação utilizada.

Resumo e passos finais

Para classificar o perigo ao ambiente aquático na Seção 12 da FDS é preciso reunir dados sobre solubilidade, toxicidade aguda e crônica, persistência e potencial de bioacumulação, além de considerar a forma química (ex.: metais, UVCB). Utilize fontes confiáveis, documente qualidade e incertezas e aplique os critérios normativos aplicáveis (GHS/ABNT ou outros regulamentos relevantes).

 Checklist final rápido: identificação → solubilidade & especiação → dados agudos → dados crônicos → persistência → bioacumulação → fontes/documentação.

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