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Engenheiro de segurança revisando documento de segurança química ao lado de tambores com pictogramas GHS — ABNT NBR 14725
Equipe Level One 14 de julho de 2026 0 Comments

ABNT NBR 14725 no Brasil: como o GHS é aplicado e o que mudou desde 2001

A ABNT NBR 14725 é a norma que orienta a aplicação do GHS no Brasil, servindo de base para classificação de perigos, rotulagem e elaboração da FDS. Entender sua evolução é essencial para quem atua com produtos químicos, comunicação de perigos, segurança do trabalho, toxicologia e conformidade regulatória.

Leia também o guia completo: FDS – Ficha de Dados de Segurança.

Ao longo dos anos, essa norma passou por mudanças estruturais importantes. A mais relevante ocorreu em 2023, quando ela deixou de ser atualizada em partes separadas e voltou a ser consolidada em um único documento. Essa reorganização impacta diretamente a forma como empresas consultam requisitos de classificação GHS, rótulos e fichas de dados de segurança.

O que é a ABNT NBR 14725

A ABNT NBR 14725 é uma norma publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, por meio do Comitê Brasileiro de Química. No contexto brasileiro, ela é a referência para a implementação do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos, conhecido como GHS.

Na prática, ela organiza os critérios e as instruções que sustentam três frentes centrais da comunicação de perigo:

Classificação de substâncias e misturas

Rotulagem de produtos químicos

Elaboração da FDS, documento que substituiu a antiga lógica amplamente associada à FISPQ

Como a norma evoluiu desde 2001

Primeira versão publicada em 2001

A primeira versão da ABNT NBR 14725 foi publicada em 2001. Naquele momento, a norma existia em uma única parte.

Divisão em quatro partes a partir de 2009

Desde 2009, a norma passou a ser dividida em quatro partes. Esse formato foi o mais usado por muitos anos, especialmente nas rotinas de classificação e na elaboração de documentos de segurança química.

As quatro partes eram:

Parte 1: terminologia

Parte 2: sistema de classificação de perigo

Parte 3: rotulagem

Parte 4: instruções para elaboração da FISPQ

Durante esse período, cada parte podia ser atualizada separadamente. Isso exigia atenção constante de profissionais de compliance, segurança química e assuntos regulatórios, já que mudanças em uma parte poderiam afetar procedimentos internos, modelos de rótulo e documentos técnicos.

Atualização relevante em 2023

Em 2023, houve uma atualização importante. A ABNT NBR 14725 voltou a ser apresentada em parte única, abandonando a estrutura fracionada que havia sido adotada por anos.

Essa mudança foi especialmente significativa porque a norma havia passado um longo período sem atualização ampla. Com isso, a reorganização trouxe uma nova forma de consulta e consolidou conteúdos que antes estavam distribuídos.

Como a ABNT NBR 14725 está organizada hoje

Na versão mais recente, a norma passou a contar com sete capítulos e 17 anexos. Para quem trabalha no dia a dia com GHS, FDS e rotulagem, alguns trechos têm importância especial.

Capítulo 5: classificação de substâncias e misturas

O Capítulo 5 reúne os critérios e instruções para a classificação de perigos de substâncias e misturas. Esse é um dos pontos centrais da norma, porque a classificação correta é a base para todas as demais etapas de comunicação de perigo.

Sem uma classificação consistente, o rótulo pode ficar incompleto ou incorreto, e a FDS perde confiabilidade regulatória e técnica.

Capítulo 6: rotulagem

O Capítulo 6 trata das instruções para rotulagem. É nele que se apoia a definição dos elementos que devem aparecer na comunicação visual do perigo, conforme o GHS.

Esse conteúdo é especialmente relevante para fabricantes, importadores, distribuidores e equipes responsáveis por revisão de embalagem e conformidade de produto.

Capítulo 7: elaboração da FDS

O Capítulo 7 apresenta as instruções para elaboração da FDS. Esse capítulo é essencial para padronizar a apresentação das informações de segurança e apoiar o uso seguro de produtos químicos em diferentes ambientes.

Anexos mais importantes da norma

Além dos capítulos, a versão atual da ABNT NBR 14725 dá grande peso aos anexos, que aprofundam orientações práticas e textos padronizados. Alguns deles são especialmente úteis no trabalho técnico e regulatório.

Anexo A: orientação detalhada para elaborar a FDS

O Anexo A traz instruções mais detalhadas para a elaboração da FDS, incluindo orientações seção por seção. Isso ajuda a uniformizar conteúdo, reduzir ambiguidades e melhorar a consistência documental.

Para quem revisa fichas de dados de segurança, esse anexo funciona como um guia operacional.

Anexo C: elementos de rotulagem do GHS

O Anexo C apresenta os elementos de rotulagem propriamente ditos. Entre eles estão:

Pictogramas

Palavra de advertência

Frases H

Frases P

Esses elementos são fundamentais para a comunicação padronizada de perigos em rótulos de produtos químicos.

Anexo D: textos das frases H

O Anexo D reúne os textos das frases H, que correspondem às frases de perigo. A letra H vem de hazard.

Essas frases descrevem o tipo e, quando aplicável, a gravidade do perigo identificado na classificação.

Anexo E: textos das frases P

O Anexo E apresenta as frases P, que são as frases de precaução. Elas orientam medidas de prevenção, resposta, armazenamento e descarte compatíveis com os perigos classificados.

Anexo G: relação entre classificação GHS e transporte

O Anexo G é uma das novidades destacadas na atualização da norma. Ele faz a relação entre a classificação GHS e a classificação de transporte.

Esse ponto é relevante porque muitas empresas precisam lidar, ao mesmo tempo, com exigências de comunicação de perigo para uso ocupacional e com requisitos específicos de movimentação e transporte de produtos perigosos.

O que mudou na prática com a versão de 2023

A mudança mais visível foi estrutural, mas ela tem reflexos operacionais importantes. Entre os principais impactos estão:

Consulta centralizada em um único documento, em vez de quatro partes separadas

Melhor integração entre classificação, rotulagem e FDS

Inclusão de novos anexos e conteúdos, como a relação entre GHS e transporte

Maior detalhamento sobre classificação ambiental, com ampliação de informações na nova norma

Para as empresas, isso significa necessidade de revisar procedimentos internos, bases normativas usadas em documentos e critérios adotados em processos de atualização regulatória.

Por que essa norma é tão importante para FDS, rótulos e classificação de perigos

A ABNT NBR 14725 não é apenas uma referência teórica. Ela orienta como a informação de perigo deve ser construída e comunicada.

Esses são alguns efeitos diretos da norma:

Define a linguagem técnica usada na classificação de substâncias e misturas

Padroniza a rotulagem GHS no Brasil

Estrutura a elaboração da FDS

Apoia a conformidade regulatória e a comunicação de risco no ambiente de trabalho

Quando esses três elementos estão alinhados, a empresa reduz inconsistências entre documento, rótulo e classificação técnica.

Quem precisa conhecer a ABNT NBR 14725

Essa norma é especialmente relevante para profissionais e áreas como:

Assuntos regulatórios

Segurança química

Saúde e segurança ocupacional

Toxicologia

Gestão de produtos perigosos

Elaboração e revisão de FDS

Desenvolvimento e revisão de rótulos

Compliance e sustentabilidade

Dúvidas comuns sobre a ABNT NBR 14725

A NBR 14725 trata apenas de FDS?

Não. Embora a FDS seja uma parte importante, a norma também cobre terminologia, classificação de perigos e rotulagem. Na estrutura atual, esses conteúdos estão integrados em um único documento.

A antiga FISPQ desapareceu da história da norma?

A norma foi amplamente usada durante muitos anos na elaboração de documentos conhecidos como FISPQ. Com a evolução normativa, o foco atual está na FDS, dentro de uma estrutura atualizada de comunicação de perigos.

As frases H e P continuam sendo parte central do GHS?

Sim. As frases H expressam os perigos, e as frases P indicam precauções. Ambas permanecem como elementos essenciais da rotulagem conforme o GHS.

A atualização de 2023 trouxe apenas reorganização?

Não apenas. Além da consolidação da norma em parte única, a atualização trouxe conteúdos novos e maior detalhamento em temas relevantes, incluindo aspectos ambientais e a relação com a classificação de transporte.

Erros comuns ao interpretar a norma

Alguns equívocos aparecem com frequência em rotinas regulatórias e de documentação:

Usar referências antigas sem verificar a versão atual

Tratar classificação, rótulo e FDS como processos isolados

Ignorar os anexos, mesmo quando eles trazem os textos e elementos práticos necessários

Desconsiderar a classificação ambiental, que ganhou mais detalhamento na nova versão

Confundir classificação GHS com classificação de transporte, sem observar a relação entre elas

Evitar esses erros ajuda a manter a coerência técnica e documental.

Checklist rápido para revisar conformidade com a NBR 14725

Confirmar se a equipe está usando a versão atual da ABNT NBR 14725

Revisar os critérios de classificação de substâncias e misturas

Verificar se os elementos de rotulagem seguem o Anexo C

Checar se as frases H e frases P correspondem aos anexos corretos

Reavaliar a FDS com base no Capítulo 7 e no Anexo A

Considerar a relação entre GHS e transporte quando aplicável

Incluir a análise de perigos ao meio ambiente conforme o detalhamento da versão mais nova

Resumo: o que lembrar sobre a ABNT NBR 14725 e o GHS no Brasil

A aplicação do GHS no Brasil está diretamente ligada à ABNT NBR 14725. Publicada inicialmente em 2001, a norma foi dividida em quatro partes a partir de 2009 e, em 2023, voltou a ser unificada em um único documento.

Hoje, ela está organizada em sete capítulos e 17 anexos, com destaque para os trechos dedicados à classificação de perigos, rotulagem e elaboração da FDS. Também ganhou relevância o detalhamento de classificação ambiental e a nova relação entre classificação GHS e transporte.

Para qualquer empresa que lida com produtos químicos, revisar processos à luz da versão atual da norma é um passo essencial para manter a conformidade e fortalecer a comunicação de perigo.

Para entender o documento como um todo — estrutura, obrigatoriedade e as 16 seções — consulte nosso guia sobre a Ficha de Dados de Segurança (FDS).

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