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Como preencher a Seção 12 da Ficha de Dados de Segurança (Informações Ecológicas) — Guia prático
Equipe Level One 16 de janeiro de 2026 0 Comments

Como preencher a Seção 12 da Ficha de Dados de Segurança (Informações Ecológicas) — Guia prático

A Seção 12 da Ficha de Dados de Segurança (FDS) reúne as informações sobre os efeitos ambientais de uma substância ou mistura. Esta seção orienta utilizadores, operadores e autoridades sobre ecotoxicidade, persistência, potencial de bioacumulação, mobilidade no ambiente e outros efeitos adversos relevantes. Um preenchimento correto é essencial para conformidade regulatória e para a Gestão do Risco Ambiental.

O que deve conter a Seção 12

  • Ecotoxicidade — resultados de ensaios agudos e crônicos para peixes, invertebrados aquáticos (por exemplo Daphnia), algas e outros organismos relevantes.
  • Persistência e degradabilidade — dados de meia-vida (DT50/DT90), ensaios de biodegradabilidade (ready/inherent) e outros indicadores de permanência.
  • Potencial de bioacumulação — coeficiente de bioconcentração (BCF) ou acumulação em organismos, log Kow como indicador secundário.
  • Mobilidade no solo — coeficiente de distribuição solo-água (Koc), solubilidade em água e comportamento de adsorção/desorção.
  • Outros efeitos adversos — potencial de destruição da camada de ozono, efeitos sobre o ozono estratosférico, efeito de aquecimento, efeitos secundários relevantes.
  • Classificação e rotulagem ambiental — hazard statements, pictogramas e recomendações de precaução conforme GHS e normas nacionais aplicáveis.

Principais parâmetros ecotoxicológicos e o que significam

  • LC50 (Lethal Concentration 50) — concentração que causa morte para 50% dos organismos num período definido; unidades geralmente mg/L ou µg/L.
  • EC50 (Effective Concentration 50) — concentração que causa um efeito adverso mensurável em 50% da população (p.ex. inibição de reprodução ou crescimento).
  • NOEC (No Observed Effect Concentration) — maior concentração sem efeitos observáveis num ensaio crô
  • BCF (Bioconcentration Factor) — razão entre a concentração no organismo e a concentração na água; usado para avaliar bioacumulação.
  • log Kow / log Pow — coeficiente de partição octanol-água, indicador de lipofilicidade e potencial de bioacumulação.
  • Koc — coeficiente de partição solo-orgânico, usado para estimar a mobilidade no solo e o transporte para águas subterrâneas.
  • DT50 / meia-vida — tempo para que 50% da substância degrade em determinado compartimento (solo, água, sedimento).
  • Ready biodegradability — ensaio padronizado que indica se uma substância se biodegrada rapidamente em condições ambientais.

Fontes e métodos aceitáveis de dados

Ao compilar a Seção 12, preferir dados de qualidade e com cadeia de custódia clara. As principais referências e metodologias incluem:

  • GHS (Globally Harmonized System) para critérios de classificação e rotulagem.
  • Normas nacionais como a ABNT NBR 14725 para elaboração da FDS (onde aplicável).
  • Testes OECD e guias internacionais (ensaios padronizados para ecotoxicidade e biodegradação).
  • Estudos GLP (Good Laboratory Practice) e artigos científicos com dados completos.
  • Base de dados regulatórios (por exemplo bases nacionais e internacionais, inventários e ficheiros de registo).
  • Abordagens alternativas quando não houver dados experimentais: read-across, QSAR, modelos de destino ambiental e análise weight-of-evidence. Sempre justificar e documentar métodos e incertezas.

Passo a passo para elaborar a Seção 12

  1. Pesquisar dados existentes: bases regulatórias, literatura, relatórios GLP e fichas de fornecedores.
  2. Avaliar qualidade dos estudos: padrão de teste, condições experimentais, relevância e confiança (ex.: GLP vs não-GLP).
  3. Selecionar endpoints-chave: LC50/EC50 para organismos aquáticos, NOEC para efeitos crónicos, BCF, DT50, log Kow, Koc, biodegradabilidade.
  4. Preencher lacunas: aplicar read-across ou QSAR com documentação, ou planear ensaios adicionais quando necessário para conformidade.
  5. Determinar classificação ambiental: aplicar critérios do GHS e normas nacionais; documentar a base de decisão e as incertezas.
  6. Redigir texto conciso e referenciado: incluir resumo, tabela de dados com unidades, método do estudo e referências completas.
  7. Incluir recomendações práticas: frases de precaução, medidas de prevenção de libertação e instruções para eliminação.
  8. Revisão e arquivamento: verificação com responsável regulatório e armazenamento das evidências que suportam as afirmações.

Modelo prático de texto para a Seção 12 (exemplo)

Apresente sempre um resumo seguido de uma tabela com os endpoints. Abaixo um exemplo de estrutura de texto:

 12.1 Ecotoxicidade
Resumo: A substância é moderadamente tóxica para organismos aquáticos com base em dados de ensaios. Dados experimentais relevantes: tabela abaixo.

 Tabela de endpoints (exemplo)

– Peixes (Pimephales promelas): LC50 96 h = 5 mg/L (OECD 203, GLP, 2018) — referência: Estudo A
– Daphnia magna: EC50 48 h = 1,2 mg/L (OECD 202, GLP, 2017) — referência: Estudo B
– Algas (Pseudokirchneriella subcapitata): EC50 72 h = 0,8 mg/L (OECD 201, GLP, 2017) — referência: Estudo B
– NOEC (reprodução, Daphnia) = 0,1 mg/L (testes crónicos, 21 d) — referência: Estudo C
– BCF (Oncorhynchus mykiss) = 45 L/kg (OECD 305) — referência: Estudo D
– DT50 (solo) = 35 dias (simulação de degradação) — referência: Estudo E
– Log Kow = 2,1 (método experimental) — referência: Estudo F
 12.2 Persistência e degradabilidade
Conforme ensaios, a substância apresenta biodegradabilidade incompleta em ensaios de laboratório; DT50 em solo ≈ 35 dias indicando baixa persistência ambiental em condições testadas.

 12.3 Potencial de bioacumulação
BCF experimental indica baixa bioacumulação (BCF = 45 L/kg).

 12.4 Mobilidade no solo
Koc calculado e solubilidade em água indicam moderada mobilidade ; existe potencial de transporte para águas superficiais por lixiviação em solos com baixa matéria orgânica.

 12.5 Outros efeitos adversos
Não há dados de potencial de depleção de ozono; não foram observados outros efeitos ecotóxicos significativos nas condições dos ensaios.

Classificação e rotulagem ambiental

A classificação ambiental deve seguir o sistema GHS e as normas nacionais implementadas. Informe, de forma documentada:

  • Categoria(s) de perigo aquático (aguda e/ou crónica) com as respectivas H-statements e códigos, conforme a legislação aplicável.
  • Precauções recomendadas (ex.: evitar liberação para o ambiente, contenção de derrames, métodos de eliminação).
  • Medidas de emergência ambiental (procedimentos em caso de derrame e contactos de autoridades competentes).

Erros comuns a evitar

  • Usar dados sem referenciar o método de ensaio ou sem indicar se são GLP.
  • Combinar endpoints de qualidade duvidosa com dados de boa qualidade sem explicar as diferenças.
  • Ignorar dados crônicos quando apenas estão disponíveis dados agudos.
  • Não justificar o uso de read-across, QSAR ou extrapolações para misturas.
  • Falta de unidades, períodos de exposição e organismo-teste nas tabelas de resultados.
  • Falhar em contabilizar a incerteza e limitações dos dados na decisão de classificação.

Checklist final antes de publicar a FDS

  • Resumo claro com a conclusão principal sobre perigo ambiental.
  • Tabela de dados com endpoints, unidades, condições (tempo, organismo), método e referência.
  • Descrição da estratégia usada para preencher lacunas (QSAR/read-across), incluindo justificativa.
  • Classificação e texto de rotulagem alinhados com GHS e normas locais.
  • Recomendações práticas de prevenção, resposta a derrames e eliminação.
  • Arquivo de suporte com estudos e evidências disponíveis para auditoria/regulador.

Perguntas frequentes rápidas

 Preciso de ensaios para todos os endpoints?
Nem sempre. Pode usar uma combinação de dados experimentais, read-across e modelos QSAR, desde que justificados e aceites pelo regulador aplicável.

 Posso usar dados antigos ou não-GLP?
Sim, mas deve avaliar a qualidade e pertinência; dados de menor qualidade exigem justificativa adicional e, quando crítico para classificação, podem requerer ensaios complementares.

 É obrigatória a avaliação da depleção da camada de ozono?
Se a substância tiver potencial para afetar o ozono estratosférico ou pertencer a classes químicas conhecidas por esse efeito, inclua a avaliação. Caso contrário, indique a ausência de dados relevantes.

Resumo

A Seção 12 da FDS é a principal referência para compreender os riscos ambientais associados a uma substância ou mistura. Preencha-a com dados fidedignos, metodologia transparente e recomendações práticas. Use ensaios padronizados quando disponíveis, documente abordagens alternativas e mantenha um arquivo com as provas que suportam a classificação e as afirmações. Um ficheiro bem documentado reduz riscos legais, facilita a gestão ambiental e protege utilizadores e ecossistemas.

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